terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Conversando com a Morte

Conversando com a Morte

Jonas, deitado em uma cama de hospital, já sabendo que não lhe restava muito tempo, ficou imaginando, o que será de sua família quando ele partir? Será que vão conseguir superar a sua partida? Ele fez de tudo para ser uma boa pessoa, um pai exemplar, um marido fiel e honrado, um homem trabalhador e honesto, seguindo todas as leis, vivendo ao lado de sua família sem ferir ninguém. Quando de repente ele percebe que o tempo pareceu parar, o relógio na parede aos pés da cama parou de tiquetaquear, a chuva lá fora parou, os aparelhos médicos não faziam mais os bips, e então sua cabeça vai ficando pesada, seu corpo começa a cansar, e ele vê, uma figura alta, com uma foice e um manto negro ao lado de sua cama, a estranha figura segura na sua mão, e o puxa para fora de seu corpo. Ele entendeu que, aquele era o Anjo da Morte, em fim, a sua hora havia chegado.
-Jonas, acredito que você já tenha entendido o que aconteceu, não é mesmo? Disse o Anjo da Morte apoiado em sua foice parado em frente de Jonas.
-Sim, claro, entendi. Eu morri!
-Tecnicamente, você não morreu, você nunca irá morrer, seu corpo morre, mas você sempre estará vivo, este corpo aqui não e seu, e sim, emprestado da natureza, e agora, você deve devolvê-lo.
-Entendo, mas sabe, existem coisas que eu sempre quis fazer na vida, mas nunca pude fazer, me arrependo de não ter aproveitado as oportunidades.
 O Anjo da Morte colocou a mão no ombro de Jonas, aproximou-se do rosto dele e disse:
-Você terá a oportunidade, lembre-se, você não morreu.
 Jonas em fim, entende que, aquela era apenas uma passagem, um momento para que seu espírito possa descansar por um tempo, e só então, retornar a viver.
-Bom Jonas, terei de leva-lo agora, mas antes, quero fazer uma coisa que não faço a muito tempo, pois é difícil ter a oportunidade.
-E o que é?
-Conversar.
-Conversar?
-Sim, conversar.
-Mas, você deve ter pessoas para conversar o tempo todo, não tem?!
-Sim, tenho, mas, eu nem sempre tenho a autorização de conversar com as pessoas antes de leva-las, e quando tenho, elas sempre ficam com raiva de mim, e sou obrigado a leva-las quieto, e sem falar nada, elas as vezes me xingam, me chamam de várias coisas horríveis, as pessoas me odeiam, mas elas mal sabem que eu não sou um ser do mal, eu adoro as pessoas, e ajudar elas a descansar, a ir para um lugar onde elas possam recomeçar, é uma tarefa que eu adoro realizar, entenda Jonas, eu simplesmente adoro as pessoas, de todo o meu coração.
-Poxa, eu sempre via você como um ser maligno, mas agora, vejo que você também tem sentimentos, mas, por que a foice e o roupão preto?
-É assim que as pessoas me imaginam, e isso torna a ser como eu sou, você só me vê assim, Porque foi assim que disseram para você que eu sou.
-Mas, como é a sua verdadeira forma?
-A minha verdadeira forma, é como as pessoas me veem Jonas, eu não tenho uma forma definida.
-Mas, como você se vê?
 Por um instante, Jonas, teve a impressão de que, o Anjo da Morte, ficou triste, e pensativo.
-Desculpe Jonas, mas, eu não me vejo, eu simplesmente...faço o que devo fazer.
-Me desculpe, eu não quis...
-Tudo bem, você está sendo uma boa companhia de conversa, estou simplesmente adorando conversar com você, realmente, você é uma das pessoas que eu fico muito feliz de ter conhecido.
 Jonas começou a se sentir mais leve, com um formigamento, ele olha para o Anjo da Morte, e antes que ele diga alguma coisa, o ser que, antes era visto como alguém maligno por Jonas, diz:
-Relaxe Jonas, estamos indo agora mesmo, para o seu descanso.
 Jonas fecha os olhos, e quando os abre, está em um lugar, totalmente branco, onde ele não vê o fim, e nem de onde vem a luz, a única coisa que ele vê, é um ser preto ao longe, Jonas vai até ele com calma, quando ambos estão frente a frente, o Anjo da Morte coloca a mão em seu ombro e diz:
-Vamos Jonas? Temos um longo caminho.
-Sim, vamos, meu novo amigo.
 E os dois seguiram em frente, rumo ao destino de Jonas, o Anjo da Morte, ensinou para Jonas que, podemos aprender mesmo estando mortos, mas, nós nunca morremos, apenas, rumamos para o descanso, antes de recomeçar.

FIM!